Qual é a escala geográfica mais adequada para trabalhar, por exemplo, com o adensamento de cadeias produtivas? E com os arranjos produtivos locais? Com os usos múltipos da água? Etc.
E se adotarmos uma única escala para "planejar o desenvolvimento sustentável do território"... qual deveria ser ela? Municipal? Grupo de municípios? Estadual? Regional? Nacional? Supranacional?
Mais uma pitada de tempeiro... Como considerar adequadamente a paisagem com suas delimitações e determinações? As bacias hidrográficas definem uma escala? Microbacias, bacias e macrobacias? O Semi-árido Nordestino, a Amazônia Legal, o Cerrado, a Mata Atlântica, o Maciço do Baturité, são escalas ou áreas com especifidades a serem consideradas? Como considerá-las juntamente com outros aspectos?
E com relação à governança territorial, quais institucionalidades são mais adequadas ao território? Elas são (ou devem ser) diferentes em escalas distintas? Como o Estado e os Governos podem/devem enxergar cada território a partir da sua representação social (e política)?
Há muitas perguntas a fazer e, consequentemente, muitas respostas a obter. O território não pode ser apropriado por uma única área do conhecimento, até mesmo porque a abordagem territorial passa a ser mais útil na medida em que considera o espaço com as suas inúmeras faces (social, econômica, cultural, natural, política, etc.).
Na segunda década do século XXI, não nos parece razoável desconsiderar o caráter multidimensional da realidade e continuar tratando-a de forma estanque e fragmentada. Uma abordagem sistêmica que permita articular distintas escalas geográficas viabiliza conjugar, por exemplo, a perspectiva endógena do desenvolvimento sustentável cada vez mais presente na sociologia e na geografia social com o enfoque do desenvolvimento regional fortemente amparado na economia espacial.
Nos parece que a palavra de ordem é "conjugar"! Conjugar distintos enfoques de uma mesma realidade que se impõe às pessoas. Conjugar por exemplo o enfoque setorial e clássico com uma abordagem territorial. Conjugar a democracia representativa com a democracia participativa. Conjugar representações sociais com organismos governamentais numa perspectiva de conformar uma governança territorial. Conjugar múltipas escalas geográficas de modo a conhecer variáveis endógenas e exógenas de cada uma delas e suas interdependências.
Bem, o objetivo aqui não é o de aprofundar a reflexão em torno de questões tão complexas, que requerem tratamento adequado sob o ponto de vista conceitual, mas sim inaugurar um espaço que possa servir de palco para um olhar multidisciplinar sobre o "Território", para então, quem sabe, ajudar a instrumentalizar melhor as ações de políticas públicas que se valem da abordagem territorial do desenvolvimento sustentável.
O desafio está lançado!
Mauricio Carneiro de Albuquerque
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